
Parece ser consensual que as práticas avaliativas do professor decorrem das suas próprias crenças em relação à avaliação e que estas convicções são convicções socialmente construídas: “A forma como o professor age em termos de avaliação está interrelacionada com as representações que ele tem da própria avaliação com a aprendizagem, do seu papel enquanto avaliadaor…” Pinto & Santos (2006).
A situação sócio-política portuguesa antes do 25 de Abril de 74 determinava uma certa postura educativa por parte dos professores, nomeadamente no que dizia respeito à avaliação. A partir do momento em que outras condições sociais se afirmam, as práticas e as políticas educativas mudam radicalmente, sendo estas então consonantes com as novas posturas políticas: “A avaliação estando no cruzamento de interesses e interacções múltiplas, inscreve-se numa construção social em movimento (Merle, 1996, p.233) dependendo necessariamente do contexto escolar social em que se inscreve…” Pinto & Santos (2006).
A avaliação como medida continua a ter uma importância social significativa apesar de, no actual contexto pós modernista, se tentar não dramatizar o peso social desse acto avaliativo. Todos os instrumentos de avaliação de medida, testes e exames, (e toda a polémica à volta da objectividade e da justiça deste tipo de avaliação) têm sido considerados persona non grata em certos círculos do “pedagogicamente correcto”. Persiste alguma dificuldade em assumir aquilo a que Pinto & Santos (2006) referem: “…a intervenção dos fenómenos aleatórios acontecem em todos os comportamentos de medida e não são algo de exclusivo da avaliação escolar.”
Uma vez mais, e em referência ao episódio 2, tal não se passa em certos contextos sociais nos quais a avaliação como medida é exactamente assumida como tal. O intencional exarcebar do carácter rígido e formal é prática corrente através de rituais que exactamente pretendem veicular a importância da estamina pessoal e da resiliência no acto da superação de provas. O que está em causa em actos avaliativos formais (no contexto escolar ou fora deles) é não só a prestação de provas mas também a aferição da capacidade de lidar com o stress. Tudo está em causa.
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Referências Bibliográficas
PINTO, J. & SANTOS, L (2006). Modelos de Avaliação das Aprendizagens. Lisboa:
Universidade Aberta
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