quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Portefólio


Mestrado em Supervisão Pedagógica
2009 / 2010

Modelos de Avaliação das Aprendizagens


Docente:
Professora Isolina Oliveira

Trabalho realizado por:
Julieta Cordas
Maria Sousa


Junho de 2010


O Portefólio
Instrumento Reflexivo de Aprendizagem
- nos cursos de dupla certificação



Índice


Introdução…………………………………………………………………………………………………………………… p. 1

1- A Construção do Portefólio……………………………………………………………………………………… p.
2- O contexto educativo ……………………………………………………………………………………………….. p.
3- Fundamentação da Escolha ……………………………………………………………………………………… p.
4- Aplicação do Instrumento de avaliação – Portefólio Reflexivo de Aprendizagem
5- Considerações Finais ……………………………………………………………………………………………….. p.
Referências bibliográficas ………………………………………………………………………………………………..p.


Introdução
Os mecanismos avaliativos fazem parte integral dos processos de ensino-aprendizagem e, como tal, merecem ser alvo de uma ponderada análise reflexiva sobre a sua natureza, funções e modalidades.
Os instrumentos de avaliação estão intrinsecamente ligados ao próprio conceito de ensino e a tudo o que ele acarreta. Da perspectiva clássica de ensino centrada na aquisição de conhecimentos à perspectiva mais actual focada no desenvolvimento holístico do aluno, muito se tem alterado em termos de instrumentos de avaliação.
Os cursos de Educação e Formação para Adultos visam elevar os níveis de habilitação escolar e profissional da população portuguesa adulta, através de uma oferta integrada de educação e formação que potencie as suas condições de empregabilidade e certifique as competências adquiridas ao longo da vida.
As práticas formativas devem, neste contexto, conduzir ao desenvolvimento de competências profissionais, mas também pessoais e sociais, designadamente, através de métodos participativos que posicionem os formandos no centro do processo de ensino-aprendizagem e fomentem a motivação para continuar a aprender ao longo da vida.

Devem, neste âmbito, ser privilegiados os métodos activos, que reforcem o envolvimento dos formandos, a auto-reflexão sobre o seu processo de aprendizagem, a partir da partilha de pontos de vista e de experiências no grupo, e a co-responsabilização na avaliação do processo de aprendizagem. A dinamização de actividades didácticas baseadas em demonstrações directas ou indirectas, tarefas de pesquisa, exploração e tratamento de informação, resolução de problemas concretos e dinâmica de grupos afiguram-se, neste quadro, especialmente, aconselháveis.

O portefólio surge nas últimas décadas como um instrumento de avaliação com uma forte componente de auto-avaliação formativa. Tenta-se que o aluno seja o construtor do seu próprio processo de aprendizagem, o seu regulador por excelência e, em última análise, o seu próprio avaliador. O presente trabalho pretende apresentar uma experiência de avaliação através do Portefólio Reflexivo de Aprendizagem (PRA), num curso de formação de adultos com dupla certificação.
1- A Construção do Portefólio
Para Sá-Chaves (2000) um portfólio reflexivo é instrumento de diálogo entre educador e educando, que não é produzido só no término do período para fins avaliativos. É continuamente (re)elaborado na acção e partilhado de forma a recolher, em tempo útil, outros modos de ver e de interpretar, que facilitem ao aluno uma ampliação e diversificação do seu olhar, levando-o à tomada de decisões, ao reconhecimento da necessidade de fazer opções, de julgar, de definir critérios, além de permitir as dúvidas e conflitos para deles poder emergir mais consciente, mais informado, mais seguro de si e mais tolerante quanto às hipóteses dos outros.
Para elaborar um portfólio é necessário:
- Definir, por parte do professor, qual o objectivo e estrutura possível;
- Definir, por parte do aluno, as finalidades de aprendizagem;
- Integrar evidências e experiências de aprendizagem;
- Seleccionar materiais que integrem o portefólio e a reflexão do aluno relativamente ao seu próprio desenvolvimento.
- Que o aluno crie, recolha e organize todo o material a fim de evidenciar o seu progresso, para que a sua avaliação vá ao encontro das finalidades estabelecidas.
Porque o portefólio é um meio de desenvolver no aluno a capacidade de reflectir sobre o que fez e como fez e de lhe dar maior autonomia para tomar decisões (Clarke, 1996 citado por Pinto & Santos, 2006:149)

2- O Contexto Educativo
O Programa Reactivar é uma iniciativa das Secretarias Regionais da Educação e Formação e do Trabalho e Solidariedade Social da Região Autónoma dos Açores e “assume-se, presentemente, como um Programa que visa qualificar adultos e desenvolve-se, preferencialmente, segundo percursos de dupla certificação”. Este percurso formativo integra quatro áreas de competências-chave, estruturadas em Unidades de Competência (UC) constantes do Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ).O curso objecto de análise é o de Assistente Familiar e de Apoio à Comunidade de Nível 2 profissional e com equivalência escolar ao 9º ano, que tem como objectivo global prestar cuidados de apoio directo a pessoas no domicílio ou em situação de internamento ou semi-internamento em estabelecimentos e serviços de apoio social, respeitando as indicações da equipa técnica e os princípios deontológicos.
3- Fundamentação da Escolha
A auto-construção do processo de aprendizagem que os modelos de ensino aprendizagem propõem será mais plenamente conseguida se se verificar a existência de algumas variáveis: a existência de algum nível de maturidade que possibilite a auto-disciplina para a execução da tarefa de compilar e organizar materiais, espírito de análise e de síntese para a correcta selecção e categorização da informação e espírito crítico para a reflexão sobre o trabalho produzido.
Tais condições de estádio cognitivo e de condições sócio-afectivas são mais facilmente reunidas no quadro de uma situação de desenvolvimento do adulto pelo que consideramos que a construção de um portefólio se adapta bem ao contexto de Formação de Adultos.
4- Aplicação do Instrumento de avaliação – Portefólio Reflexivo de Aprendizagem
As várias fases:
q Organização e planeamento
q Aprendizagem e Recolha de elementos
q Desenvolvimento e concretização dos Conteúdos
q Reflexão
q Apresentação na sessão de PRA

Objectivos
q Elevar a auto-estima do Formando;
q Desenvolver uma maior autonomia no trabalho do Formando;
q Assumir o Formando um papel mais activo no seu processo de ensino-aprendizagem;
q Exercitar a capacidade reflexiva do Formando;
q Observar a capacidade de organização do Formando;
q Compreender e conhecer melhor o Formando;
q Colocação em prática, dos conhecimentos adquiridos;
q Acompanhar a evolução dos Formandos.


5- Considerações Finais
Os instrumentos de avaliação são uma parte importante do trabalho do professor no que diz respeito ao processo de ensino-aprendizagem. A sua adequação aos objectivos e à população não devem ser descurados. Da escolha clássica do teste como instrumento de avaliação importa que o professor se aventure no desbravamento e potencialização de instrumentos de avaliação alternativos como o relatório, o trabalho de projecto e o portefólio. A alternância na utilização destes instrumentos de avaliação produzirá um trabalho mais enriquecedor para o aluno e mais estimulante para o professor.
Devem, por isso, diversificar-se os métodos e técnicas pedagógicos, assim como os contextos de formação, com vista a uma maior adaptação a diferentes ritmos e estilos de aprendizagem individuais, bem como a uma melhor preparação para a complexidade dos contextos reais de trabalho. Esta diversificação de meios constitui um importante factor de sucesso nas aprendizagens.

Revela-se, ainda, de crucial importância o reforço da articulação entre as diferentes componentes de formação, designadamente, através do tratamento das diversas matérias de forma interdisciplinar e da realização de trabalhos de projecto com carácter integrador, em particular nas formações de maior duração, que contribuam para o desenvolvimento e a consolidação de competências que habilitem o futuro profissional a agir consciente e eficazmente em situações concretas e com graus de complexidade diferenciados. Esta articulação exige que o trabalho da equipa formativa se faça de forma concertada, garantindo que as aprendizagens se processam de forma integrada.

O portefólio, recentemente chegado ao universo das práticas pedagógicas, mais do que um mero instrumento de avaliação, é um catalizador de saberes e um promotor da auto-aprendizagem do aluno. O recurso ao portefólio em situações de aprendizagem e de formação encerra um leque diversificado de potencialidades, quer ao nível da implicação (maior e mais consciente) dos actores nelas envolvidos, quer ao nível da auto-regulação das aprendizagens (dos seus processos e resultados), quer ao nível das estratégias metacognitivas inerentes (Veiga Simão, 2008).


Referências Bibliográficas
PINTO, J. & SANTOS, L.(2006). Modelos de Avaliação das Aprendizagens. Lisboa: Universidade Aberta.
SÁ-CHAVES, Idália (2000). Portfólios reflexivos: estratégia de formação e de supervisão. Universidade de Aveiro
VEIGA SIMÃO, A.M. (2008). Reforçar o valor regulador, formativo e formador da avaliação das aprendizagens. In Alves, M. P.& Machado, E. A. (Org.). Avaliação com sentido(s): Contributos e questionamentos, 125-151.De Facto Editores.









Sugestão de estrutura
• Questões de partida (tema de vida)
• Notas de campo
• Conceitos referenciados
• Autores de referência (datar, ligar a conceitos, teorias)
• Glossário
• Metáforas
• Reflexão
• Projectos Futuros
Registos fundamentais
q Diário de aprendizagem, integrando reflexões sobre a construção das aprendizagens e proporcionando feedback sobre o trabalho realizado
q Plano de desenvolvimento individual
q Registo de objectivos pessoais, significativos e exequíveis;
q Listagem de dificuldades encontradas ou consciencializadas e estratégias utilizadas para as resolver;
q Listagem de estratégias a desenvolver e de recursos a utilizar;
q Registo sistemático do grau de consecução dos objectivos definidos (autoavaliação)
q (re)definição de estratégias em função da avaliação feita,
q Registo de leituras de textos de revistas, jornais e livros escritos em inglês;
Testemunhos/ Evidências
q Fichas de trabalho;
q Esquemas;
q Fichas de leitura;
q Fichas de pesquisa;
q Fotografias
q Avaliações
Guia de Ajuda à planificação, concretização e avaliação do Portefólio
Fases de auto-regulação
Categoria
Exemplos de Questões
1º Momento – Ajuda à planificação do Portefólio

Antevisão
Objectivo
Para que serve construir um Portefólio?
(pensa sobre isso durante uns minutos)
Quais são os teus objectivos? Regista-os.
Quais as implicações desses objectivos? (na forma como vais estruturar o portefólio, nas evidências a escolher..)
Planeamento estratégico
Planificação
Quais as competências de que quero dar conta no meu Portefólio?
Como posso fazer? O que decidi fazer? Quando? Como? Porquê? Para quê?
Elaborei um Plano? (registo o Plano)
De que recurso disponho? (materiais, pessoais,….)
2º Momento – Ajuda à concretização do Portefólio

Monitorização
Execução
Tomada de
decisão

Conteúdos

Testemunhos/
Evidências

Controlo
Volitivo
Tensões
Quais os factores que estão a afectar a construção do meu portefólio? (o tempo? A falta de estrutura que guie a selecção e a reflexão? Estilos e valores de ensino?...)
Identifico quais são esses factores, analiso-os e refiro como os estou ou penso vir a ultrapassar.
Partilho as minhas dificuldades com os meus colegas.
3º Momento – Ajuda à reflexão/avaliação do portefólio

Reflexão
Reacção
Reflexão
O que se pretende com a reflexão?
Reflectir sobre o quê (processos de aprendizagem, motivação, …)
O que fiquei a saber? O que fiz bem? Porquê?
Como me sinto relativamente ao meu desempenho?
Qual o papel do portefólio na minha formação?


Constrangimentos encontrados no primeiro momento de avaliação
q Resistência por parte dos alunos e professores relativamente à mudança de métodos de trabalho e de práticas avaliativas;
q Falta de hábitos dos alunos na reflexão sobre a sua própria aprendizagem;
q Impossibilidade de confirmar a autoria de todos os trabalhos incluídos no portefólio;
q Insegurança por parte dos professores na utilização deste instrumento como meio fiável de avaliação;
q Poderá tornar-se numa mera compilação de trabalhos do aluno que não evidencia nem reflexão pessoal nem progresso.

Primeiros Comentários de Professores e Formandos
Professores
Formandos
-Não são capazes de reflectir!
-É um amontoado de papéis!
-Ainda não perceberam o objectivo.
-Estão muito confusos.
-Pedem ajuda constantemente.
-Não fazem auto-avaliação.
-Eles até se esforçam, mas não conseguem.

-Não vou ser capaz!
-Que grande confusão!
-Porque é que não fazemos antes um teste?
-Que é isso do tema de vida?
-Vou reflectir sobre o quê?
-Isto é mesmo preciso?
-Por onde começo?
-Não tenho tempo para isso.

Comentários Finais de Professores e Formandos
Professores
Formandos
-Valeu a pena. Registou-se uma grande evolução na capacidade de análise crítica, reflexão mais aprofundada sobre o processo de aprendizagem.
-Nunca pensei que conseguissem. É gratificante
-Parecem outros formandos.
- É um instrumento trabalhoso mas com resultados que superam esse esforço.
-Nunca pensei que conseguisse!
-Contribuiu para o meu crescimento pessoal.
- Redesenhei o que pensava de mim e da vida.
- Afinal, sempre sei fazer alguma coisa.
- Aprendi muito de uma maneira muito diferente.
- Valeu a pena o esforço e o trabalho. Agora já posso entender o que fazem os meus filhos na escola.

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